Indiretas ao vento

| foto: oticacotidiana


Esses dias, fiquei pensando sobre as pessoas que dão indiretas para as outras em redes sociais, status, qualquer canto.

Bom, longe de julgar, acredito que qualquer indireta é sempre algo que toca no irreversível. Ninguém vai mudar porque leu que machucou você, porque você gosta dela, porque você queria algo com ela.

A pessoa-alvo da indireta, para ser bem honesto, pode ser tão indiferente que sequer vai ler o que você se prestou a escrever. É impossível agradar à indiferença, e qualquer coisa que você faça não vai mudar a cabeça de quem não te escolheu. Eu sei, é duro.

Quando a pessoa te quer por perto, ela quer você por perto, você sente. O sim é sempre claro, mesmo com rotinas atarefadas. Quanto mais você quer mostrar que tem valor, mais a pessoa poderá olhar para você com desprezo, até mesmo aquelas que sonham ser amadas. Já ouviu falar que o sonho do oprimido é ser o opressor? Talvez seja um pouco disso também, ainda que inconscientemente.

As pessoas escolhem o tempo inteiro, e a gente também escolhe. Se alguém te escolheu para não estar na vida dela, por que achar que uma indireta vai resolver alguma coisa? Escolhas são escolhas e estão sempre postas, queiramos ou não.

Contudo, eu entendo quem opta pela indireta. A meu ver, ela é uma ação que não muda o irreversível, mas consigo ser empático o bastante para perceber que a indireta, na real, é só mais uma tentativa ou um desabafo lançado ao vazio, que será engolido pelo vento.

O remetente só quer ser percebido, mas o destinatário só quer ser esquecido.

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