O desaparecimento silencioso

o silêncio em cada uma de nossas versões | foto: oticacotidiana


Algumas coisas simplesmente deixam de existir dentro de nós.

Não acabam de uma vez.
Vão perdendo presença suavemente.
E talvez seja isso o que mais inquieta:
perceber que o essencial nem sempre parte com um gesto ruidoso.

É como um filme que desapareceu e ninguém notou.
Ou quando aquele artista desapareceu,
e um dia alguém percebeu que ele tinha mudado de rumo.
Ou quando deixamos de usar o telefone fixo, o orelhão,
e ninguém se importou quando eles foram extintos.
Alguma coisa gradualmente mudou, e nós também mudamos.

Há amizades e amores que pareciam feitos de presença e constância.
Então as mensagens começam a demorar.
Depois passam a caber em ocasiões.
Até que, sem uma despedida, a conversa deixa de existir.

As coisas se retiram da vida aos poucos.
O mesmo acontece com aquilo que somos.

Convicções que pareciam sólidas deixam de convencer.
Sentimentos que imaginávamos permanentes mudam de lugar.
Há experiências que acreditávamos carregar para sempre e que,
um dia,
já não organizam mais a nossa maneira de olhar o mundo.

Existe um abismo dentro de nós onde tudo isso vai se acumulando,
até que, sem anúncio, percebemos que algo já não está ali.

Não parece perda, nem luto.
Está mais próximo de ser a descoberta de que
algumas ausências acontecem antes,
muito antes,
de serem percebidas e sentidas com o coração.

Foi embora uma verdade.
Uma certeza.
Um caminho.
Uma parte de quem éramos.
Uma forma de compreender a vida.

Talvez exista nostalgia ou saudade pelo que não estamos vivendo?
Um remorso pelo que poderia ter sido,
pelas oportunidades perdidas.
Pelos sonhos itinerantes.

E o mais estranho não é o que desapareceu,
mas perceber que algo que um dia parecia indispensável
simplesmente deixou de sustentar quem somos
e encarar o que conseguimos ser.

👀 Já ouviu falar de Mar Negro?

Em Mar Negro, nada é o que parece. Um suspense intenso, com reviravoltas de tirar o fôlego e um final que vai mexer com você por dias.

Se você gosta de histórias que te viram do avesso, essa é pra você.

👉 Ler agora


UM DOS 10 LIVROS RECOMENDADOS PARA LER EM 2025...

MAR NEGRO
Quem somos quando ninguém mais reconhece a nossa verdade?
Um dos dez livros recomendados para ler em 2025, segundo a Revista Bula
Mar Negro é uma obra que rompe as fronteiras do real, do imaginário e do possível. Um enredo que transita entre gêneros, camadas de identidade e existência. Uma colisão entre destinos, onde um acidente pode ser mais do que um acaso — pode ser uma reconfiguração do próprio sentido da vida. Prepare-se para uma experiência que desconstrói certezas e expande consciências.