Ainda você
![]() |
| entre versões, você... | foto: oticacotidiana |
Às vezes, a nossa nova versão chega tal qual uma música que tem fim: vai diminuindo o volume aos poucos, até que você se acostume com a ideia de que a antiga versão está indo embora. Não há necessariamente um momento exato em que você deixa de ser quem era. Quando percebe, já deixou.
A nossa nova versão chega e transforma você no que precisa ser, no que é, no que, de alguma forma, achou que não precisaria ser. E ela pode ter força suficiente para destruir fortalezas, certezas, aquilo que você tinha como base. Pode fazer você se afastar, se abrir a algo, rever suas relações ou reconstruir relações. Uma nova coisa surge em meio aos escombros. Em meio ao caos, surge uma nova versão sua para chamar de sua, um novo eu para chamar de eu.
Então você se dá conta de que aquela transformação era inevitável. Não adiantaria continuar sendo como era para encarar os novos desafios. Porque toda vez que a nossa versão muda, alguma coisa ao redor também mudou. E, para viver o que vem depois, talvez seja preciso ser alguém que ainda não sabemos muito bem quem é.
Talvez a sua maior mudança tenha sido não se importar mais. Talvez tenha sido sofrer menos. Talvez, quem sabe, amar mais. Amar sem medo, sem tentar prever o que pode acontecer, sem passar tanto tempo imaginando onde podem surgir as feridas. Talvez a sua nova versão seja justamente a coragem de ser como você é: imperfeito, perfeito, sem precisar escolher entre uma coisa e outra.
As nossas melhores versões surgem, talvez, em meio ao caos do desconhecido, das incertezas, da dúvida. Não porque o caos tenha alguma virtude especial, mas porque é difícil continuar sendo exatamente quem você era quando aquilo que existia ao seu redor já não existe da mesma maneira.
Essa é uma história em que o começo foge da lógica, e o fim subverte qualquer expectativa do começo. Porque entre uma coisa e outra existe ação, existe transformação, existe você sendo outra pessoa.
Isso é a versão nova. É bem-vinda.
Mas eu diria uma coisa importante entre tantas outras: não se acostume com ela por muito tempo. Porque, se o seu entorno mudar, com toda certeza sua nova versão chegará. E, com ela, toda a transformação, todo o desconforto, todo o caos da transição entre uma versão e outra.
Talvez seja isso que significa continuar sendo você.
∞∞∞
👀 Já ouviu falar de Mar Negro?
Em Mar Negro, nada é o que parece. Um suspense intenso, com reviravoltas de tirar o fôlego e um final que vai mexer com você por dias.
Se você gosta de histórias que te viram do avesso, essa é pra você.


