Entre versões
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| entre versões, entre possibilidades, entre promessas | foto: oticacotidiana |
Alguma vez você já se perguntou o que a gente faz entre quem a gente quer ser e quem a gente é? O que a gente faz com esse estado permanente que dura, e dói, toda uma vida?
Enquanto a gente tenta ser, a gente já arrisca. Mete os pés pelas mãos, cansa, vai, volta, desiste, recomeça. Se pergunta inúmeras vezes se alguma coisa faz sentido, ou se precisa fazer sentido.
É o vazio. Esse lugar em que já não somos quem éramos e ainda não conseguimos ser quem imaginamos. Um estado entre versões. E o que esse vazio pode fazer com a gente? Que lugares ele pode nos empurrar? Para que relações, para que momentos, para que tipos de constrangimentos?
Às vezes, a promessa de um recomeço é um oásis. É ela que nos mantém em movimento. Somos alguma coisa, queremos ser alguma coisa: uma versão melhor do que a anterior. Quase sempre queremos subir. Raramente imaginamos o futuro como perda. Quem suportaria caminhar se acreditasse que o destino é tornar-se menos do que já é? Mesmo sem garantias, seguimos apostando em versões de nós que ainda não conhecemos.
Mas, enquanto a gente está nesse estado entre ser e querer ser, às vezes a gente simplesmente deixa de ser alguma coisa boa. E talvez, nessas idas e vindas, a gente desça alguns degraus. Há descidas que a nossa versão futura prefere esquecer. Afinal, a versão futura, em tese, é mais bonita, melhor, mais redonda, mais completa. E especialmente cruel com quem ainda não chegou. Toda versão idealizada do futuro exige que o presente pareça insuficiente.
As versões imperfeitas demoram a ganhar nosso reconhecimento. A gente só consegue se orgulhar delas quando alcança algum pedaço da versão que imaginou. Porque, quando olha para trás e pensa: "Meu Deus, olha o quanto eu errei. O quanto eu aprendi. Olha o que eu deixei de ser, e olha o que sou agora".
Esse é o jogo: entre versões bagunçadas, entre momentos que parecem completos e são incompletos, entre histórias que começam e não terminam, entre estados imperfeitos travestidos de permanência. O sufoco, a densidade e a verdade desses estados parecem eternos. Mas quase nunca são fortes o bastante para sustentar uma vida inteira. Tudo se dissolve diante da promessa futura de leveza, aquela vida que imaginamos viver quando finalmente nos tornarmos quem queremos ser.
Entre versões imperfeitas, entre versos inacabados, somos esse intervalo. Esse vão. Essa corda bamba. Talvez o mais difícil não seja chegar a ser alguma coisa. Talvez seja aprender a existir enquanto ainda não chegamos.
E até lá, o que fazemos com o intervalo?
Habitar a corda bamba: talvez essa sempre tenha sido a versão definitiva.
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Em Mar Negro, nada é o que parece. Um suspense intenso, com reviravoltas de tirar o fôlego e um final que vai mexer com você por dias.
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