Versões
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| os pedaços que deixamos no caminho | foto: oticacotidiana |
Todos os dias, uma versão nossa morre
para que outra possa continuar.
Quando você fecha os olhos,
quando atravessa a rua,
quando pisca,
alguma coisa em você termina.
Uma versão sua deixa de existir
e outra, sem alarde,
toma o seu lugar.
Com ela vão embora algumas certezas.
Outras coisas chegam nas sutilezas:
dúvidas, medos,
desejos que mudaram de nome,
amores improváveis
que assustam pela própria verdade.
Todos os dias a transformação vem.
Você vai e volta,
um pêndulo infinito
em que perdemos pedaços
e encontramos outros.
Há fins que parecem começos
e começos que só mais tarde entendemos
como despedidas.
Nada em nós acontece uma vez só.
Só você sabe
o quanto precisou morrer para continuar vivo.
O quanto precisou deixar para trás
medos, inseguranças,
certezas que pareciam eternas
porque você precisava que fossem.
O quanto precisou calar
o que dentro de você insistia em viver.
Você segue em frente,
mas vários de seus pedaços ficam pelo caminho.
Pedaços que eram alicerce
e amanheceram em ruínas.
Pedaços que pareciam indispensáveis
e, quando partiram,
não deixaram vazio algum.
E pedaços que nunca existiram,
mas que você ainda procura.
Entre tantas idas e vindas,
entre tantos recomeços,
entre tanta morte e ressurreição,
estamos apenas vivendo.
Um dia após o outro.
Sem saber quem seremos amanhã.
Sem saber o que ainda seremos capazes de sentir.
Sem saber o que faremos
com tudo aquilo que insiste em permanecer.
Porque viver, às vezes,
é olhar para trás
e perceber que os nossos mortos
ainda carregam o nosso nome,
mesmo que não tenhamos enterrado
nenhuma das pessoas fomos e
que deixamos para trás.
∞∞∞
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Em Mar Negro, nada é o que parece. Um suspense intenso, com reviravoltas de tirar o fôlego e um final que vai mexer com você por dias.
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