De volta a leveza

de volta a leveza e sem o peso da dúvida | foto: oticacotidiana

A contradição curiosa é que, às vezes, o gesto mais lúcido não é seguir em frente, mas desaprender o peso que você passou tanto tempo carregando.

Talvez o que falte não seja força, mas a capacidade de reaprender a leveza. Não como quem evita a realidade, e sim como quem volta a ter espaço para habitá-la. Porque só há encontro com o que é leve quando deixamos de ocupar tudo com o esforço de controlar.

O medo, a ansiedade, a tensão, a necessidade de acertar sempre, de encontrar a resposta exata: tudo isso estreita o mundo. E um mundo estreito dificilmente acolhe o acaso, o espanto ou aquilo que nos faz rir sem aviso.

Há coisas que precisam ser soltas antes que possam ser compreendidas. Nem todo sentimento pede explicação, nem toda ação precisa prometer um futuro. O acaso e a leveza são o que movem o que estava parado. Controlar, no final das contas, é só mais uma forma discreta de desconfiar da vida. E quando isso se torna claro, sem alarde nem grandes promessas, a gente pode, enfim, (re)começar com mais verdade.

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