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sincronicidades | foto: oticacotidiana

Adoro as sincronicidades da vida.

Um atraso que vira atalho.
Um chamado sem convite formal.
Os encontros que a agenda não previa,
mas o coração, em algum lugar, já ansiava.

A ponto de, num único instante,
nos reconhecermos no olhar do outro.

Há momentos que escapam da lógica.
A razão se torna um fantasma que circula ao redor deles,
mas nunca encontra a porta de entrada.

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Encontros tão verdadeiros
que parecem lembranças de um sonho.
Você belisca a memória
para acreditar que aconteceram.

E eles ficam.

Por tempo indeterminado.

Como um inquilino viajante
que, de tempos em tempos,
volta apenas para lembrar
que nunca foi embora.

Marcam sem pedir licença,
como aquela música
que um dia deixou de tocar,
mas nunca deixou de existir em você.

E transformam devagar.

Até que, um dia,
o espelho devolve alguém
que você ainda não conhecia.

A versão sua
que cabia em certezas
foi ficando para trás,
sem perceber
o instante exato
em que havia sido tocada.

Pelos imprevistos que abriram portas.

Pelos encontros
que ensinaram os muros
a esquecerem sua função.

Pelos laços
que não dependem da presença
para continuarem inteiros.

Há sincronicidades
que assustam de tão precisas.

Como se o acaso
fosse apenas o nome provisório
que damos
ao que ainda não aprendemos a compreender.

Talvez não existam aleatoriedades.

Talvez existam apenas encontros
que caminham em nossa direção
muito antes
de aprendermos a caminhar para eles.

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